Notas de querose e petróleo? Aroma de xixi de gato? Rapadura? Pele de salame? Terra molhada? Caixa de charutos? Própolis?
Pois é, acreditem, esses aromas podem ser encontrados nos vinhos.
Estava há tempos para escrever sobre cheiros estranhos que podemos encontrar nas garrafas.
Me lembrei desta história na sexta passada, quando provei uns vinhos suíços. Adorei o Petite Arvine Maitre de Chais 2007, feito com esta uva (a Petite Arvine), rara, só encontrada no Valais.
Mas o que mais me chamou a atenção na degustação foi um aroma que dominava o Rouge d’Enfer maitre de Chais 2005: era própolis.
Eu, sozinho, seria incapaz de identificar essas notas, ainda que percebesse um cheiro familiar. Mas foi só o Sébastien Ludy dizer que este vinho, corte de Syrah, Cornalin, Humagne Rouge e Diolinoir, apresentava aroma de própolis para a ficha cair: pois era mesmo própolis o que eu estava sentido.
Essa história me fez ir mais atrás no tempo. Me lembro, certa vez, apreciando um Malbec do Bettú eu senti um aroma nítido de rapadura. Teve quem me corrigisse, dizendo que isso era alcaçuz, que muita gente confundia um com o outro.
Mas, para mim, era mesmo rapadura. Já provei alcaçuz. Podem ser perfumes semelhantes, mas rapadura é rapadura, alcaçuz é alcaçuz.
Então, resolvi fazer uma brincadeira. Convoquei o Pedro Hermeto, do Aprazível, e o Rogério Goulart, que vende os vinhos do Bettú aqui no Rio, para fazermos uma visita à Feira de São Cristóvão levando uma garrafa do Malbec do Bettú.
Sentamos numa barraquinha, pedimos carne de sol com aipim e manteiga de garrafa, além de farofa, para acompanhar o vinho.
Depois, ofereci a taça a algumas pessoas, perguntando se sentiam ali alguma aroma familiar. Mas ninguém falou de rapadura, e todos acharam aquilo estranho.
Foi divertido. Quando eu perguntava se estavam sentindo cheiro de rapadura, alguns até confirmaram, achando a maior graça daquilo.
* Bruno Agostini é jornalista apaixonado por gastronomia e tem um blog no O Globo.
segunda-feira, 29 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Terremoto afeta a safra 2010 no chile
Em plena época de colheita, o terremoto comprometeu a colheita e a elaboração de vinhos da safra 2010, destruindo vinhedos, instalações e estoques.
A catastrofe que atingiu o Chile trouxe também danos à vinicultura, num momento em que se prepara a colheita das uvas tintas.
O jornal Mercurio On Line mostrou informações sobre os diversos setores afetados, obtendo declarações do presidente da Corporação Chilena del Vino, Gerardo Artega.
Segundo ele, a maior perda foi em tanques de aço cheios de vinho, que desabaram.
As regiões mais afetadas são Maule e Bió-Bió. Em Maipo, Aconcagua e Limarí os danos foram mais reduzidos.
Vinícolas como Casa Silva, Viu Manent, Miguel Torres, Montes, Lapostolle perderam tanques, barricas e vinhos engarrafados.
Muitas bodegas são construídas em paredes de adobe, que funciona como isolante térmico. Essas construções já resistiram a outros tremores mas agora desabaram, danificando barricas e estoques.
A principal consequencia está nos grandes tonéis cheios de vinhos, principalmente os de aço, onde as perdas foram grandes.
As barricas sofreram menos que os grandes tanques, mas precisam ser revisadas a tempo para a maturação dos novos vinhos.
Quanto aos vinhedos, vários sistemas de condução caíram, com parreiras carregadas às vesperas da colheita, mas não se esperam grandes perdas nessa área.
Como a colheita de uvas brancas se iniciou há 10 dias e as tintas serão colhidas em 20 dias, os vinicultores têm um curto prazo para tomar decisões. Usualmente as vinícolas não fazem seguros contra terremotos, o que pode fazer os prejuízos refletir fortemente na disponibilidade de vinhos da safra 2010.
Com esta situação, é possivel que os preços de vinhos chilenos sejam afetados no mercado internacional, ou pelo menos dificuldades na disponibilidade dos produtos.
A catastrofe que atingiu o Chile trouxe também danos à vinicultura, num momento em que se prepara a colheita das uvas tintas.
O jornal Mercurio On Line mostrou informações sobre os diversos setores afetados, obtendo declarações do presidente da Corporação Chilena del Vino, Gerardo Artega.
Segundo ele, a maior perda foi em tanques de aço cheios de vinho, que desabaram.
As regiões mais afetadas são Maule e Bió-Bió. Em Maipo, Aconcagua e Limarí os danos foram mais reduzidos.
Vinícolas como Casa Silva, Viu Manent, Miguel Torres, Montes, Lapostolle perderam tanques, barricas e vinhos engarrafados.
Muitas bodegas são construídas em paredes de adobe, que funciona como isolante térmico. Essas construções já resistiram a outros tremores mas agora desabaram, danificando barricas e estoques.
A principal consequencia está nos grandes tonéis cheios de vinhos, principalmente os de aço, onde as perdas foram grandes.
As barricas sofreram menos que os grandes tanques, mas precisam ser revisadas a tempo para a maturação dos novos vinhos.
Quanto aos vinhedos, vários sistemas de condução caíram, com parreiras carregadas às vesperas da colheita, mas não se esperam grandes perdas nessa área.
Como a colheita de uvas brancas se iniciou há 10 dias e as tintas serão colhidas em 20 dias, os vinicultores têm um curto prazo para tomar decisões. Usualmente as vinícolas não fazem seguros contra terremotos, o que pode fazer os prejuízos refletir fortemente na disponibilidade de vinhos da safra 2010.
Com esta situação, é possivel que os preços de vinhos chilenos sejam afetados no mercado internacional, ou pelo menos dificuldades na disponibilidade dos produtos.
sábado, 13 de março de 2010
Sommelier Conteporaneo x Sommelier Tradicional
Quando se fala em Sommelier lembra-se do profissional que aconselha o cliente a escolha das bebidas em restaurantes e cuida do serviço. Pode então definir este tipo de descrição como a de um Sommelier tradicional, pois sua ação apenas se destinava exclusivamente no salão do restaurante.
Hoje, o Sommelier além destas funções foram atribuídas outras responsabilidades como compra, harmonização de pratos com a carta de vinhos. Seus conhecimentos em constante atualização favorecem um grande poder comercial alem de contribuir para a motivação e formação profissional.
Desta forma, o Sommelier Contemporâneo é para mim o profissional ideal para qualquer estabelecimento, preenchendo os requisitos comportamentais e técnicos exigidos para profissão.
Hoje, o Sommelier além destas funções foram atribuídas outras responsabilidades como compra, harmonização de pratos com a carta de vinhos. Seus conhecimentos em constante atualização favorecem um grande poder comercial alem de contribuir para a motivação e formação profissional.
Desta forma, o Sommelier Contemporâneo é para mim o profissional ideal para qualquer estabelecimento, preenchendo os requisitos comportamentais e técnicos exigidos para profissão.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Livro da semana
Vou começar a uma busca sobre livros bons e de facil leitura sobre vinhos. A minha primeira indicação é Vinho sem segredo de Patricia Tapia - Editora Planeta. Um livro que não tem como objetivo te tornar um expert em vinhos, mas fazer com que seja capaz de responder com certa propriedade uma pergunta bem básica: gosto ou não gosto do vinho que estou tomando? Por quê? Simples assim. Como o vinho.
Boa leitura.
Boa leitura.
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