domingo, 7 de fevereiro de 2010

A globalização no mundo do vinho.

A França passa por um momento complicado na viticultura. Frente à crise, o vinho francês precisa fazer sua revolução. Uma delas é a queda contínua das exportações de vinhos franceses já há alguns anos, afetando todo o setor de vinhos. Bordeaux é a região vinícola mais tocada, seguida pelo Beaujolais. A Borgonha ainda tenta resistir.
A comparação com os vinhos do Novo Mundo (Estados-Unidos, América do Sul, Austrália, África do Sul) é cruel para os vinhos franceses. Não que seja o caso de que a produção de vinhos na França caiu ou que a qualidade esta em prova, mas é que nem sempre corresponde ao gosto novo dos consumidores.
A crise do vinho é o presente. Com a perda progressiva do monopólio, a França sofre com a produção mundial e a aparição dos vinhos do Novo Mundo, em climas mais quentes e regulares. Em vinte anos, o mercado se transformou e a produção mundial atual de vinho é maior que o consumo.
É necessária uma verdadeira revolução no mundo do vinho. Antes os franceses podiam impor seu jeito de ler o vinho, mais ligado a um terroir, a associação entre um tipo de solo, um clima, uma variedade de vinha, mas aos poucos, os consumidores estrangeiros, particularmente os americanos, foram impondo outros gostos.
O vinho de hoje tem de ser fácil de beber e de entender. O que os franceses demoram a perceber é que o mundo do vinho está passando pela globalização, e que para muitos nem é uma novidade, mas hoje o vinho está sendo produzido nos quatro cantos do mundo e oferecem, quase sempre, uma relação custo beneficio muito mais interessante que a maioria dos vinhos franceses.

Outro fato que não podemos deixar de citar são as novas leis de segurança no transito sobre se beber não dirija, e a forma que o mundo hoje realiza as refeições, entre outras comemorações que antigamente se via facilmente o vinho hoje é raro, na maioria das vezes.
Será que uma das formas mais corretas da França hoje é começar a produzir vinhos com estilo “Napa” e deixar de lado o terroir que sempre deu elegância e supremacia aos seus vinhos? É um processo que poderá acarretar mudanças preocupantes na produção clássica de um vinho francês, preocupação que se choca com a pergunta de como competir com países onde impérios industriais trabalham com volumes gigantescos e uma mão de obra muito mais barata? Será uma luta árdua que está apenas começando e que frente a crise, sobrará para os grandes vinicultores, de forma talentosa escolher juntar-se a todos ou fazer a exceção.

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